Livro Juventude Rural e Políticas Públicas no Brasil

O livro Juventude Rural e Políticas Públicas no Brasil tem como objetivo ampliar o diálogo entre governo, movimentos sociais e academia e registrar os avanços atuais do debate sobre juventude rural e políticas públicas no Brasil.

Misturando registros de espaços presenciais, artigos acadêmicos e textos dos próprios jovens, a publicação almejou aproximar os jovens do tema, valorizando as distintas formas de participação no debate, reduzindo a distância entre o que se produz na academia e na gestão pública daqueles que vivenciam no dia a dia as políticas públicas e a realidade de ser jovem.

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Capa Livro

Como projeto de continuidade desses esforços, este livro, que conta com a importante colaboração dos pesquisadores Marilda Aparecida de Menezes, Sérgio Botton Barcellos e Valmir Luiz Stropasolas para a sua organização, traz, em suas três sessões, debate denso e qualificado sobre a realidade da juventude rural brasileira e os desafios das políticas públicas para avançar em melhores condições de vida para essa população.

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Agroecologia: breve histórico e concepções

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Por Gilmar dos Santos Andrade

Existem vários termos em disputa na sociedade. Um desses principais termos é a “agroecologia”. A disputa não é por palavras, mais por conceitos que representam projetos societários. As disputas são protagonizadas por setores das classes sociais. Em relação à agroecologia, essa disputa acontece principalmente entre os movimentos sociais do campo versus o agronegócio. Contudo, entre as organizações e movimentos sociais do campo existem concepções diferentes, decorrentes das posturas e prática das organizações em relação a construção de um projeto de campo, articulado a um projeto de sociedade. Com esse texto pretendemos expor um breve histórico da agroecologia e suas principais concepções dentro dessas organizações.
A primeira vez que o termo agroecologia surgiu foi na década de 1930, como sinônimo de ecologia aplicada as práticas agrícolas. Com o avanço do capitalismo no campo nas décadas posteriores, principalmente com a “Revolução Verde”, ocorre uma dissociação maior entre agronomia e ecologia. Nesse período a agroecologia era considerada disciplina que estudava o manejo dos agroecossistemas . Na década de 1980 a agroecologia se populariza, graças aos trabalhos dos acadêmicos Miguel Altieri e Stephen Gliessman.

Esses autores dão um enfoque científico nas pesquisas empreendidas nas comunidades tradicionais campesinas, principalmente na América Latina. A agroecologia, segundo Miguel Altieri, é a “ciência que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias para estudar, analisar, manejar, desenhar e avaliar agroecossistemas”. Essa primeira concepção de agroecologia é denominada de técnico-acadêmica. É uma concepção de “vertente americana ”. Essa concepção apresenta um avanço, na medida em que reconhece o conhecimento dos camponeses integrados à ciência, no desenho e manejo de agroecossistemas e produção sustentável. Os riscos ou limites dessa “vertente americana” é a supervalorização da técnica, mesmo com uso de metodologias participativas e a ênfase na academia como espaço de disputa de modelos.

Ainda na década de 1980, a agroecologia vai se constituindo agregando outras áreas do conhecimento. Uma das contribuições fundantes nesse período foi o viés sociológico, dado por Eduardo Sevilla-Guzmán e Manuel González de Molina, ambos da Andaluzia – Espanha. A partir desse momento passamos a ter a segunda concepção de agroecologia. A concepção sociologia, de “vertente europeia”. A grande contribuição dessa concepção é a integração das disciplinas científicas com as práticas das comunidades camponesas. Nessa concepção há uma valorização do campesinato como sujeito e as formas de organização social. Vale destacar que entre as décadas de 1980 a 1990, organizações não governamentais (ONGs) foram os principais sujeitos que disseminaram a agroecologia no Brasil.

A partir dos anos 2000, os movimentos sociais do campo, principalmente os movimentos sociais articulados na Via Campesina incorporam a agroecologia a sua estratégia política . Esse período para a Via Campesina caracteriza-se por um forte enfretamento ao agronegócio e pela consolidação de sua plataforma política. Muitas são as iniciativas que fortalecem a agroecologia. Apenas a título de exemplo temos a disseminação de cursos de agroecologia pelo país. Inclusive com o primeiro curso superior de tecnologias em agroecologia, realizado pela Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA), escola vinculada a Via Campesina e também a realização das Jornadas de Agroecologia. Incialmente no estado do Paraná e depois ampliado para outros estados.

A Via Campesina compreende a importância das contribuições das concepções técnico-acadêmica e sociológica. A Via concorda que a agroecologia tem uma especificidade, que é a construção de um projeto de campo. Entretanto, a plena construção da agroecologia é simultaneamente a construção do projeto de campo só acontece com a superação da sociedade capitalista.

Nesse sentido, encontra-se em gestação outra concepção de agroecologia, a partir da prática dos movimentos sociais do campo, que apontam a agroecologia como parte da estratégia de luta contra o agronegócio e pela superação da modelo capitalista e a construção de outra forma de organização da vida, construída pelos produtores livremente associados. Nessa concepção, “a agroecologia inclui o cuidado e defesa da vida, produção de alimentos, consciência política e organizacional” (Via Campesina 2009) . A agroecologia nessa concepção de agroecologia dos movimentos sociais populares do campo é parte integrante da luta por soberania alimentar e energética, pela defesa pela e recuperação de territórios, pelas reformas agrária e urbana, e pela cooperação e aliança entre os povos do campo e da cidade (GUHUR e TONÁ, 2012, 64).

Além de atuar na PJR, Gilmar dos Santos Andrade, formado em Agroecologia pela Escola Latino Americana de Agroecologia, é monitor da Escola Família Agrícola de Monte Santo na Bahia.

Além de atuar na PJR, Gilmar dos Santos Andrade, formado em Agroecologia pela Escola Latino Americana de Agroecologia, é monitor da Escola Família Agrícola de Monte Santo na Bahia.

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Onda de imigrações ilegais de jovens gera demanda por reforma da política migratória dos EUA

Marcela Belchior
Adital

Diante de onda de casos de meninos e meninas imigrantes que chegam aos Estados Unidos cruzando a fronteira do país com o México, a organização não governamental estadunidense dedicada à defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York, chama a atenção para a necessidade de reforma da política migratória do país. A entidade requer que o Congresso dos EUA reveja procedimentos utilizados, hoje, para que esses mecanismos de controle protejam direitos fundamentais dessa população.

“As histórias daqueles que anseiam por reunirem-se com suas famílias, converterem-se em novos cidadãos dos Estados Unidos e sofrem na conquista desse sonho, nos lembram de que a imigração não é somente um assunto político ou econômico”, afirma Grace Meng, pesquisadora dos EUA para a HRW. “É necessária uma reforma migratória para proteger os direitos humanos fundamentais, incluindo direitos que têm sido cruciais ao longo da vida e da história dos EUA”, complementa Meng.

Para discutir tal proposta, a HRW divulgou uma reportagem multimídia em parceria com a revista Time, o fotógrafo britânico Platon Antoniou, reconhecido internacionalmente por retratar diversos líderes mundiais e figuras públicas, e a organização sem fins lucrativos The People’s Portfolio, dedicada a promover a dignidade humana por meio da fotografia. No projeto, são apresentadas fotos e entrevista em vídeo com imigrantes, cujas histórias apontam para uma necessidade urgente de aprovação de uma reforma migratória integral naquele país.

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A Lei Monsanto é um atentado contra a vida

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Por Miguel Ángel Albizures

 

Por supuesto, esta Guatemala es de todos, de indígenas y campesinos, de garífunas y xincas, de blancos y mestizos, de quienes tienen poco o nada y de quienes tienen todo y de todo, y también de aquellos que han hecho de ella su patria o segunda patria y contribuyen a hundirla, como Pedro Trujillo, quien se desgañita atacando a mujeres columnistas que defienden derechos humanos, se oponen a la entrega del país y la criminalización de los movimientos sociales de resistencia. 

 

La mayoría, la inmensa mayoría de quienes habitamos esta patria, nos estamos quedando solo con el nombre: “Guatemala”, porque la tierra ya la han arrebatado de las manos de quienes la trabajan, pues hoy la acaparan unos pocos, al igual que la riqueza y los bienes que se producen. Por eso las aspiraciones, los anhelos, los sueños, las luchas, las reivindicaciones de los sectores populares y de periodistas conscientes, son diferentes de quienes, de acuerdo a sus intereses, imponen el desarrollo sin justicia social para enriquecerse más y entregar a las grandes transnacionales las porciones de tierra fértil y hasta las patentes de lo más sagrado que tenemos, los granos básicos. Esa Ley Monsanto atenta contra la soberanía del país, la dignidad, la seguridad y el futuro de las generaciones de campesinos e indígenas que los producen y abastecen a la sociedad. 

 

Unos, los menos, los que se arrogan el derecho de decidir y no quieren que este país, que esta Guatemala, cambie para que siga siendo el paraíso de ellos y de las transnacionales como la Monsanto, que además de querernos meter transgénicos, ha producido otros productos que afectan la salud y provocan la muerte. Si el Congreso y el Gobierno central siguen este camino de entreguismo, el aguante de las mayorías está llegando a su límite, pues somos una población totalmente desprotegida y agredida por las fuerzas de seguridad que están al servicio de los intereses de hacendados nacionales y del capital extranjero.

 

La Ley Monsanto es un atentado a la vida, pues las semillas son la base de la soberanía alimentaria y han sido patrimonio de los pueblos a quienes en el futuro se les cobraría por el uso de la semilla o se les impondría demandas, penas de cárcel y multas por utilizar su propia semilla. La Monsanto siempre ha atentado contra la vida, ya sea con químicos o con gases letales utilizados en las guerras. Pero estos son los intereses que, a capa y espada defienden columnistas como Pedro Trujillo y otros, cuya pluma está al servicio del poder económico, de los militares y del capital transnacional. Que este nuevo atentado, tendente a privatizar las semillas y la vida, nos sirva para avanzar en la unidad y en la creación de un movimiento político social que se oponga y movilice, cada vez que se atente contra los intereses y derechos del pueblo y de los pueblos ancestrales

 

Publicado Originalmente no Jornal Opinião, da Guatemala, 

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Mapa da Violência: taxa de suicídios cresce a níveis preocupantes no Brasil

Adital

 

 

 

 

Ainda considerado um forte tabu religioso e sociocultural no Brasil o número de suicídios segue crescendo a níveis preocupantes. Dados, divulgados recentemente pelo Instituto Sangari, noMapa da Violência 2014 – Os Jovens do Brasil, revelam que, entre 1980 e 2012, as taxas de suicídio cresceram 62,5%, aumentando o ritmo a partir da virada de século, tanto para o conjunto da população quanto para a faixa jovem.

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Aborto e juventude: Por que precisamos conversar???

Porque o aborto é um problema de toda a sociedade. As conferências das Nações Unidas declaram o atendimento ao aborto como um direito sexual e reprodutivo das mulheres. Porque é uma questão de saúde pública: no Brasil o aborto é uma das principais causas de internação materna nos hospitais do SUS. O aborto inseguro pode acarretar internações hospitalares, infertilidade, infecções graves e até mesmo a morte. Porque é uma questão de justiça social.

Vamos aos fatos…

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo ocorrem 46 milhões de abortos provocados anualmente. Aproximadamente 20 milhões de abortos são realizados de forma insegura (clandestina). A maior incidência de abortos ocorre na América latina, com uma taxa de 29 abortos para cada mil mulheres com idade de 15 a 44 anos. No Brasil estima-se que acontece entre 1 milhão e 1 milhão e 500 mil abortos por ano. Segundo a Pesquisa Nacional sobre o Aborto realizada pela antropóloga Débora Diniz, 15% das mulheres urbanas já realizaram o aborto pelo menos uma vez na vida. Dessas, 55% precisaram ser internadas para concluir o processo de abortamento. Ou seja, o aborto faz parte do cotidiano das mulheres brasileiras. Acontecem anualmente entre 300 a 500 mil internações anuais devido a consequências do aborto inseguro. Além disso, o aborto ocupa no Brasil posição importante no total de morte materna. Estima-se que 11% do total de mortes de mulheres ocorridas durante a gravidez, parto ou pós-parto são causadas por aborto inseguro.

Atualmente no Brasil, o aborto – segundo o Código Penal – é considerado um crime contra a vida. Sendo permitido apenas às mulheres que sofreram violência sexual ou quando há risco de morte. Nestes casos a lei não deixa de considerar que seja um crime contra a vida, apenas não é cabível de punição (desde que praticado por um médico). Segundo a lei vigente e as normas técnicas fornecidas pelo Ministério da Saúde, as mulheres que sofreram violência sexual e ficaram grávidas de seus agressores podem realizar o aborto intra-hospitalar sem a necessidade de apresentar qualquer documento que comprove a violência. Entretanto, esses são documentos solicitados com frequência nos hospitais, tal solicitação dificulta o acesso das mulheres ao Aborto Legal, e quando elas conseguem os documentos comprobatórios ou autorização judicial a gestação pode estar em uma fase avançada para realizar o procedimento (tendo em vista a demora do sistema judicial).

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Elza Berquó: Brasil está desperdiçando seu bônus demográfico

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PS: Apesar da entrevista ser do Globo está valendo à pena ler.
Aos 82 anos, a demógrafa Elza Berquó, na sede do Cebrap, aonde vai trabalhar diariamente
SÃO PAULO Villanova Artigas projetou um dos mais belos edifícios de São Paulo, o da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Pouco depois, já na ditadura militar, em 1967, o arquiteto construiu a casa de uma das mais respeitadas intelectuais do país: a demógrafa Elza Berquó. Nascida em 1931, em Minas Gerais, é na casa de Artigas, localizada na Zona Sul de São Paulo, que Elza ainda vive, sozinha. Ela não teve filhos e ficou viúva há seis anos, mas cuida de quatro jardins, recebe amigos, lê e assiste ao seu programa de TV preferido: a série inglesa “Downtown Abbey”. Elza divide seu tempo entre a hidroginástica, a casa e o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), onde trabalha de segunda a sexta, “sem hora para sair”. A organização, modelo de pesquisa demográfica na América Latina, foi fundada por ela e outros dissidentes afastados da USP pelo AI-5, como Fernando Henrique Cardoso.
— Tive milhares de convites para me exilar, mas eu preferi ficar no Brasil e fazer uma resistência intelectual, o que tivemos a oportunidade de fazer no Cebrap. Quando a democracia voltou, estava tão feliz aqui que nunca mais voltei à USP — conta a demógrafa, que ainda fundou, em 1982, o Núcleo de Estudos Populacionais (Nepo), na Unicamp, onde vai pouco, porém é parte ativa do corpo de pesquisadores.
Formada em matemática e bioestatística, com mestrado na USP, Elza foi pioneira em usar dados sobre a população para entender transformações no comportamento e na saúde dos brasileiros. O que faz até hoje ao estudar os jovens e a gravidez depois dos 30 anos.
O GLOBO – O IBGE acaba de divulgar novas projeções que mostram que o Brasil passa por um momento único causado pela queda da fecundidade. Com menos crianças e uma parcela ainda não tão grande de idosos, há proporcionalmente mais pessoas em idade de trabalhar e um número menor de dependentes. Mas isso tem prazo para acabar, já que o envelhecimento populacional acontecerá cada vez mais rápido. Estamos aproveitando este bônus demográfico?
 
ELZA – Não, porque, à medida em que você tem menos jovens, deveria ter melhores escolas, mas o jovem está sendo mal aproveitado. Se por um lado a demografia ajuda o emprego no Brasil, porque há muita gente ainda em idade economicamente ativa para preencher os postos de trabalho, é um paradoxo pensar que uma pessoa não necessariamente precisa se educar melhor para ter um salário satisfatório. É um desafio. Não à toa estamos começando a importar engenheiro, médico. E o que fazer quando a população envelhecer?
Ao mesmo tempo, não se pode pensar que todo o mundo deva fazer uma faculdade. Um carpinteiro precisa ter o mesmo respeito e a mesma chance de vida digna do que um engenheiro. Investir em ensino profissionalizante pode ser uma boa resposta para isso.
E essa população de idosos que precisará cada vez mais ser sustentada?
 
A tendência é que as aposentadorias ocorram mais tarde, temos que jogar pra frente a idade de parar. É logico que aí pode haver uma reação do jovem, reclamando que o idoso está tomando o lugar dele. Trata-se de um conflito, mas que precisa ser encarado.
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