“A Banhista da Cervantes e Outros Contos” será lançado neste sábado

Denis Venceslau é da “região dos poetas cuja caneta é a enxada e o papel é o chão”, também atua na organização da juventude no Sertão Pernambucano.

Denis Venceslau é da “região dos poetas cuja caneta é a enxada e o papel é o chão”, também atua na organização da juventude no Sertão Pernambucano.

Neste próximo sábado, dia 24 de maio, em Afogados da Ingazeira, será lançado o livro “A Banhista da Cervantes e Outros Contos”, do escritor e agente pastoral da CPT, Valdeni Venceslau Bevenuto.

O livro, publicado pela Scortecci Editora, tráz ao todo, 17 contos que, segundo o próprio autor, apresentam “um olhar sobre a vida de pessoas simples em espaços públicos. Parece ser um estilo que produz um sentimento de que os acontecimentos simples são extraordinários quando contados com paixão”.

Em entrevista realizada para a CPT, Denis ressalta que, a sua experiência enquanto agente pastoral e o contato com as comunidades camponesas ajudou a trilhar seu estilo literário. O livro pode ser adquirido pelo valor de R$ 20,00, na Livraria Cultura e Martins Fonte.Confira abaixo a entrevista completa com escritor e agente pastoral da CPT.

VALDENÍ VENCESLAU BEVENUTO, conhecido como Denis Venceslau, nasceu na cidade de Cajazeiras/PB. Hoje mora em Afogados da Ingazeira, sertão de Pernambuco: Região dos poetas cuja caneta é a enxada e o papel é o chão. São os personagens e paisagens com quem cruzou ao longo de sua caminhada, que levam Denis a se especializar em sonhos e em contos. Pelo sonho, o escritor enxerga a realidade e procura realizá-la escrupulosamente. Foi esse sonho que animou o escritor a escrever “A Carpideira”, que lhes rendeu o primeiro prêmio como escritor, no 9o Concurso de Contos Luis Jardim e hoje, a lançar o livro A Banhista da Cervantes e Outros Contos”. Denis é formado em Letras, com especialização em Língua, Literatura e Linguística

Confira a Entrevista concedida ao Sítio da Comissão Pastoral da Terra. 

CPT: Denis, há 12 anos você atua como agente pastoral da CPT em Afogados da Ingazeira, e nos últimos anos, você tem conciliado seu serviço com a literatura. Como foi o teu despertar para a escrita?

Denis Venceslau: Meu despertar veio de uma aptidão natural, unida à dedicação, ao estudo e aos incentivos desde meus anos iniciais de escola pública.

CPT: Como surgiu a ideia de escrever o livro “A Banhista da Cervantes e Outros Contos” ?

DV: Sempre gostei de ler bons livros. Nos meus primeiros anos de escola eu era apaixonado pela literatura de resistência e outros, tais como Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, Mister Curitiba, de Dalton Trevisan, Éramos Seis, de Maria José Dupré, Uma varanda sobre o silêncio, de Josué Montello, entre muitos exemplos. Só depois nasceu o gosto pela escrita. No começo, eu queria absorver o máximo de tudo o que eu lia e que julgava ser bom para a minha vida. O que me faltava em casa eu encontrava nos livros e o que me faltava na leitura eu encontrei na escrita. Eu escrevia para me completar. Escrevia contos e os deixava guardado sem pretensão de publicá-los. Pouquíssimas pessoas sabiam dessa minha aptidão, apenas os amigos mais próximos. Foi por incentivo deles que tive a coragem de me lançar para a vida literária. De incentivo a incentivo está aí o livro publicado.

CPT: E como foi o processo para escrever o livro?

DV: O processo foi doloroso. Eu tinha quase cem contos escritos. Alguns foram escritos para passar o tempo, durante as noites de insônia. Dos quase cem contos, muitos foram parar na lixeira. Na verdade, considero que foram poucos os que saíram do papel. Digo papel porque eu ainda não consigo escrever direto no computador. Gasto muito tempo e dinheiro para poder aceitar como “quase pronto” o que escrevo. Para ter uma ideia, escrevo à mão, depois digito, imprimo e corrijo-os. Não sei corrigi-los no computador. Depois de uma primeira correção, digito novamente, imprimo-os novamente e isso se segue muitas vezes, que chego perder a conta. E para mim, nunca estão prontos.

CPT: O que há de ficção e o que há de realidade nos contos da “Banhista de Cervantes”?

DV: Penso que esses contos não são como água e óleo em que posso distinguir uma coisa da outra. Ficção e realidade se entrelaçam e se cruzam de tal maneira que o que era real passou a ser ficção e o que era ficção passou ser o real. Meus personagens nasceram das observações, das conversas entre amigos, da imaginação que ficou responsável para articular o mundo real com a ficção. E aí reside o brilho e o encanto da arte de escrever.

CPT: Denis, fala um pouco sobre essa relação dos contos com o trabalho enquanto agente pastoral da CPT. O teu serviço, teu cotidiano no campo te serviu de inspiração de que forma?

DV: Tudo o que faço me serviu como elemento constitutivo. Minhas leituras que já falei no início, minhas opções, meu ambiente de trabalho, minha vida de agente da CPT e minha formação acadêmica. Não tenho como negar que o que faço enquanto agente da CPT me ajudou a trilhar esse estilo literário. Tem uma definição de Marluce Mello, da CPT, que eu considero fantástica, quando ela fala da região que eu resido: “região dos poetas cuja caneta é a enxada e o papel é o chão”. Penso que o cabo da minha enxada quem me deu foi a CPT.

CPT: Alguns escritores escrevem como forma de protesto, resistência, militância, outros como forma de expor seus aspectos subjetivos, externar raiva, amor, são vários motivos que nos levam a escrever. Você escreve para que, o que te motiva?

DV: Penso que no mundo de hoje tem muita gente fazendo literatura sem saber pra onde vai, nem muito menos sabe de onde veio. Escrevo pela paixão à literatura, mas alguém já disse uma vez que com bons sentimentos se faz uma má literatura. Por esse motivo posso considerar que faço uma má literatura, mas me salva o valor que dou aos meus contos enquanto são expressão de uma utopia e ao mesmo tempo de uma des-utopia. Mário Vargas Llosa, quando perguntado sobre o porquê de escrever, certa vez disse que escreve porque, acima de tudo, é um ávido leitor. A escrita para mim é para completar algo que sempre está faltando.

CPT:  Quais as suas perspectivas literárias após o lançamento do seu livro? Há algum projeto em vista?

DV: Sim, há um projeto em vista. Há alguns anos escrevo um romance, tem um título provisório de “Sob os ventos do moinho”. Penso que será minha próxima obra publicada e como educador e agente da CPT estarei sempre “acunhando” o cabo da enxada.

Serviço:

O que: Lançamento do Livro  “A Banhista da Cervantes e Outros Contos”, de Vandeni Venceslau Bevenuto.

Quando: Sábado, dia 24 de maio, a partir das 10h

Onde: Escola Monteiro Lobato – Afogados da Ingazeira/PE

 

 

Outras informações:

Comissão Pastoral da Terra – Regional Nordeste 2

Fone: (81) 3231.4445(87) 3838.1964

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