Justiça suspende decisão da UFSM e determina vestibular

Decisão do juiz da 3ª Vara Federal, Loraci Flores de Lima, aponta retorno do processo tradicional

Decisão da Justiça Federal suspende a deliberação do Cepe, em 22 de maio, de extinguir o vestibular da UFSM (Fotos Carolina Reicherd/Especial/A Razão)

Carmen Staggemeier Xavier

Em decisão apresentada no final da tarde de ontem, o juiz da 3ª Vara Federal, Loraci Flores de Lima, suspendeu a decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e manteve a realização do vestibular como forma de ingresso à instituição no ano de 2015. Com isso, encerra-se uma etapa da polêmica gerada em torno do acesso à UFSM após a decisão tomada pelo Cepe no dia 22 de maio, quando, em reunião extraordinária, aprovou a extinção do vestibular e a utilização da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como única forma de acesso aos cursos de graduação.

O empresário Luiz Fernando Pacheco, presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria (Cacism),uma das entidades que ingressou com a ação, destaca que a decisão não aponta vencedores. “A partir do momento em que um assunto dessa relevância é discutido judicialmente, ninguém ganha. Não é o ambiente propício ao diálogo entre uma universidade e entidades”, avalia. Por outro lado, considera uma decisão acertada, tendo em vista a preparação dos candidatos, ao longo dos anos, para o concurso vestibular. “Concordamos com outras formas de ingresso, mas para os próximos anos. Não se pode mudar as regras do jogo poucos meses antes do vestibular”, destaca Pacheco. “Espero que a UFSM não recorra, pela segurança e tranquilidade dos estudantes. Afinal, serão mais dois ou três meses até se definir a forma de ingresso. Pedimos, em respeito à decisão judicial, para a Universidade já trabalhe na preparação do concurso vestibular”, pede o presidente da Cacism, ressaltando que as entidades estão abertas ao diálogo.

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Mas, ao que tudo indica, o pedido não deverá ser atendido. O secretário geral do gabinete do reitor, Marionaldo da Costa Ferreira, confirmou no início da noite de ontem que a instituição vai ingressar com recurso para reverter a decisão do juiz Loraci Flores de Lima. “Estamos há cerca de seis meses à frente da gestão da UFSM e essas são decisões que mexem com toda a comunidade. As formas de ingresso estão sendo questionadas, debatidas, mas a instituição tem autonomia sobre o processo”, afirma.

Ainda na semana passada, o reitor Paulo Burmann, que está em viagem, afirmou que, sendo definida a realização do vestibular como forma de ingresso para 2015, não haveria prejuízo em termos de cronograma, pois o edital do concurso costumava sair no final de julho e início de agosto. O prejuízo, segundo Burmann, continua sendo para os estudantes. “O maior prejudicado é o estudante”.

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Especialistas estimam que 800 mil menores sofrem violência de gênero em casa

Lorena tem muito poucas lembranças alegres de sua infância. Não conseguiu lembrar de uma noite tranquila nem de um dia de paz. Em sua casa, os gritos e a violência física eram constantes. Também o silêncio angustiado que antecedia os insultos e as surras que seu pai infligia à sua mãe. E sua impotência por não poder fazer nada. Há três anos mãe e filha fugiram do pesadelo de violência machista no qual Lorena praticamente havia nascido. Acabava de completar 21 anos. “Fomos dar um passeio e não voltamos mais. Saímos com a roupa do corpo”, explica. Enquanto fala não deixa de retorcer o colar com tensão. Não teve infância nem adolescência. Cresceu como uma menina assustada, uma criança que nem espirrava “para não incomodar”.

Vanessa, jornalista de 29 anos, e Miriam, professora de 24, junto com suas outras duas irmãs, viveram submissas a seu pai durante anos. Sempre com medo de cometer algum erro – ou o que era visto como erro por ele – e com o pânico diante da certeza da represália. “Sempre tive medo do meu pai”, conta por telefone Beatriz, de 23 anos, que com sua mãe acaba de terminar um longo tratamento num centro para mulheres vítimas da violência machista e pelo qual também passaram há alguns anos as outras três jovens de vinte e poucos anos, e para onde voltaram uma manhã para contar sua experiência. Viveram num ambiente violento até que conseguiram fugir de seu carrasco. “Um homem que me foi imposto. A quem eu não escolhi”, afirma uma delas.

Seu caso não é único. Cerca de 800 mil crianças convivem com situações de violência de gênero na Espanha, segundo uma estimativa do Ministério da Igualdade – um número derivado da macropesquisa anônima sobre violência de gênero feita em 2008. Delas, cerca de 200 mil são filhos de mulheres com ordens de proteção. São vítimas e testemunhas que também sofrem por causa da invisibilidade que este rótulo traz e que podem chegar a sofrer sequelas muito palpáveis. “Depressão, transtornos de alimentação, ansiedade… A aprendizagem e a repetição do que veem em casa também acontece: agressividade no caso dos meninos e submissão no caso das meninas”, explica a psicóloga Beatriz Sevilla, especializada neste tipo de violência.

Até agora, este ano, 42 mulheres foram mortas pelas mãos de seus parceiros, 12 a mais que no mesmo período do ano passado. O balanço é alarmante. Mais ainda se levar-se em conta que três crianças foram assassinadas junto com suas mães, e 24 ficaram sem elas para sempre. É muito frequente que essas crianças se transformem também em vítimas diretas das agressões. “O maltrato aos filhos é uma das formas que o agressor encontra para fazer dano à parceira. Atacam sempre onde dói mais”, explica Miguel Lorente, delegado de Violência de Gênero.

Vanessa se transformou numa mulher forte. Já não tem medo e não suporta ouvir argumentos como “não o deixo por causa dos meus filhos” da boca de uma mulher maltratada. “Isso me dá muita raiva”, diz arregalando os olhos. Esta é sua mensagem para as mulheres: “não fique em casa por causa de seus filhos. Vá embora! Seus filhos não precisam de um pai assim”. Diz uma pessoa que não teve infância nem adolescência. Alguém que agora é mãe. “Se uma mulher se sente indefesa, que se coloque na pele da criança”, suplica sua irmã Miriam.

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Os jovens “caras pintadas” e os jovens “hashtag”

Há umas duas semanas li uma frase que me fez refletir e me encorajou a escrever este texto. A frase dizia mais ou menos assim: “No passado os jovens pintavam a cara e sairam às ruas e derrubaram um presidente. Hoje eles usam uma #hashtag com fora Sarney e acham que estão arrasando”. Ai, ai, ai … que frase forte. Afinal, o que esta frase tem de verdade? O que tem de exagero? Concordo? Discordo?
Pois bem, vamos a uma reflexão. Saliento que é apenas o meu ponto de vista, ficando você livre para discordar e tecer seus comentários sobre esta minha reflexão.

Os jovens dos últimos anos estão acomodados ou são vítimas da tecnologia, que veio facilitar as coisas? As Redes Sociais tornaram nossos jovens amorfos (sem vivacidade, sem energia, inativos)?, afinal de contas basta ficar em frente de um computador, conectar, escrever, publicar e pronto. O que está acontecendo?

Acredito que não se trata de saber quem está errado ou certo. Sou da opinião que cada época ou geração tem as suas armas e ferramentas para protestar e produzir os efeitos desejados. É óbvio que na época dos “caras pintadas” a atitude mais visível para aquele período era fazer o que eles fizeram. Foi uma atitude única, que levou milhares de pessoas às ruas, empunhando faixas, bandeiras do Brasil, vestindo a cor preta e pintando o rosto de verde e amarelo.Quem não iria notar, sobretudo com o resultado que teve, com a queda de um presidente? Naquele momento, depois de tanta pressão, o Congresso optou pelo “Impeachment” do Presidente da nação. Este ato teve uma grande visibilidade perante a sociedade e perante o mundo. Foi notícia em todas as TV´s do Brasil e do Mundo; teve lugar na imprensa nacional e internacional. Dessa forma, até os dias de hoje os “caras pintadas” são recordados.

E hoje? Temos jovens que têm muito mais que tintas para pintar seus rostos. Temos jovens que dominam a tecnologia e que têm a sua frente meios modernos, rápidos e eficazes; têm as Redes Sociais para imprimir um ritmo veloz e em  poucos minutos atingir milhares de pessoas espalhadas por todo o mundo. E então, o que está faltando? A diferença está nos meios ou nos jovens?

Por que os jovens foram às ruas com as caras pintadas e derrubaram um Presidente da República e nos dias atuais não derrubaram o Presidente do Senado com uma  #hashtag? 

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Para jovens, internet é tão importante quanto comer

 

A internet passou a ser tão necessária quanto água, comida e moradia, de acordo com pesquisa da empresa de tecnologia Cisco, realizada com jovens de até 30 anos em 14 países.

No Brasil, 3 em cada 5 estudantes e jovens profissionais fizeram essa afirmação. Entre um carro e a internet, eles também dão mais importância à rede. Além disso, 72% dos universitários brasileiros disseram que preferem navegar na internet a namorar, ouvir música e sair com os amigos.

Essa ênfase na internet se repetiu entre universitários de países como China (59%), Espanha (54%) e Índia (54%).

Somente na França o namoro prevaleceu na dianteira das opções, com 54%. No campo profissional, 75% da geração Y brasileira diz não viver sem internet. “Para esse grupo, mais importante que o contato físico é estar conectado o tempo todo nas redes sociais”, afirma o presidente da Cisco do Brasil, Rodrigo Abreu.

Autor:Felipe Vanini Bruning
Fonte: Unisinos

 

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Sociólogo uruguaio analisa Políticas Públicas de Juventude na América Latina

Do site da SNJ

De 9 a 13 de junho, a Organização Internacional da Juventude (OIJ) realizou o II Seminário Ibero-americano sobre Juventude, Estratégias de Mídias Sociais e Novas Tecnologias em Montevidéu, no Uruguai. Durante os cinco dias, representantes das áreas de comunicação dos governos e movimentos sociais da Guatemala, México, Colômbia, Equador, República Dominicana, El Salvador, Chile, Uruguai, Espanha e Brasil discutiram estratégias de comunicação para a juventude e a integração entre esses países. Análises sobre a conjuntura das políticas públicas de juventude na América Latina e Ibero-américa, apresentadas pelo sociólogo uruguaio Ernesto Rodriguez, consultor da OIJ, fomentaram os debates e promoveram questionamentos entre os participantes. De que maneira integrar países com vivências distintas e culturas semelhantes? Essa foi uma das questões colocadas no encontro. A convite da OIJ, a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) participou da atividade, que aconteceu no Centro de Formação de Cooperação Espanhola em Montevidéu. Confira abaixo a entrevista exclusiva com o sociólogo, que fez uma pequena análise sobre a conjuntura das políticas públicas de juventude nos países Ibero-americanos.

17.06.2014 - Sociólogo uruguaio analisa Políticas Públicas de Juventude na América Latina

Ernesto Rodriguez em oficina no Centro de Formação de Cooperação Espanhola em Montevidéu.

O uruguaio de 60 anos se dedica há mais de 30 ao tema juventude. Jovem durante o período da ditadura militar uruguaia começou a lutar em grupos juvenis pela restauração da democracia do seu país, maior parte militando em grupos clandestinos políticos. Quando finalmente se restaurou a democracia, em meados de 1980, o desafio passou a ser transformar o tema em políticas públicas afirmativas. Ernesto Rodriguez conta que durante muitos anos os movimentos de jovens, de mulheres, sindicatos, movimentos estudantis e de cooperativas, entre outros, lutaram para que houvesse mais participação social e cidadania. Em meados dos anos 1990, Rodriguez assumiu o Instituto Nacional de Juventude do Uruguai, marcado por um governo de coalizão, “onde não foi possível fazer praticamente nada (de políticas públicas)”, lamentou. Porém, nesse período conseguiu evitar que algumas ações fossem aprovadas como, por exemplo, a Lei de Segurança Nacional que criava, entre outras coisas, o que se chamava de ‘brigadas tutelares juvenis’, que pretendia tirar a autonomia dos jovens. A partir de então o sociólogo saiu do INJ e do país por um tempo, e começou a trabalhar com as questões da juventude em toda a América Latina, realizando consultorias e assessorias aos governos.

SNJ: Qual é, hoje, a realidade dos jovens na América Latina?

Ernesto Rodriguez: A diversidade é enorme. Temos jovens mulheres e homens, de várias classes sociais, no meio rural e urbano, de etnias, raças e sexualidades diversificadas. Se comparar a condição social que vivem os jovens hoje com 30 anos atrás, está igual ou pior do que antes. Os jovens hoje têm muito mais acesso à educação, em comparação aos anos anteriores, mas em compensação, têm muitíssimo menos acesso ao emprego. Hoje eles têm muito mais acesso à informação, mas participam cada vez menos do acesso ao poder e estão enfrentando muitas tensões. Isso pode ser verificado ao longo dos últimos 10 anos. Eu acredito que não é casualidade que ultimamente as principais erupções sociais e políticas, de descontentamento e mal-estar sejam protagonizados por jovens. É o que mais se constata em países altamente industrializados, como Estados Unidos, e alguns países da Europa, mas estamos vendo isso também no México e na Colômbia, por exemplo. Hoje, nesses países, os jovens vivem em piores condições que seus pais quando tinham a mesma idade. Agora, as condições em que crescem os jovens são muito precárias e por muitas razões existe uma explicação que vem do campo das políticas públicas. Por exemplo: apesar dos indicativos das tendências demográficas, em muitos países, nos dizerem que existem mais jovens do que nunca, que temos menos crianças que antes e que no futuro isso será mais profundo, isso significa que passaremos por um desafio e uma luta no próximo século. No entanto, as políticas públicas seguem muito centradas em crianças, e isso se nota mais claramente na educação. Criam-se escolas primárias que estão ficando sem alunos e as escolas secundárias lotam de alunos e os Ministérios de Educação encontram dificuldades de fazer ajustes mínimos para atender essa nova realidade. O mesmo se percebe no campo da saúde, onde as atenções estão mais voltadas para a fase materno-infantil, sem se adequar às populações de adolescentes, que demandam muito mais atenção hoje do que alguns anos atrás.  E isso pode ser analisado em vários outros contextos. Eu acredito que este problema é porque os governos não conseguem encontrar uma fórmula adequada para reconhecer o valor que têm os jovens, assumindo que estes são mais um problema do que solução. Percebe-se, então, que o que mais se aplica são respostas de controle social e punitivas. A maior parte das ações de segurança nacional nos países Ibero-americanos vai contra os jovens, sobretudo os pobres. No Brasil contra os jovens negros em particular, isso é muito perceptível. Em outros países, contra os jovens indígenas, que estão em batalhas fortes contra os empreendimentos mineiros ou investimentos nos recursos naturais que ficam dentro de suas terras. Eu diria que tudo isso é muito significativo porque no fundo mostra que nesses países, em muitos casos, há algumas respostas mais progressistas que seguem respondendo com estratégias de contenção social dos jovens e não com propostas de promoção juvenil. Mas quando relativizamos o peso de cada uma das políticas, efetivamente as políticas punitivas contra os jovens são predominantes em todos os países.  Percebemos isso na defesa de se aumentar a inimputabilidade dos menores, nos homicídios que se cometem contra os jovens, enfim, em indicadores bem claros. Numa lista das 50 cidades mais violentas do mundo, 42 são latino-americanas. Existem cidades que são mais violentas que qualquer uma do Oriente Médio, que está em plena guerra. Em San Pedro Sula,  Honduras, que é a cidade mais violenta do mundo e onde o estado quase não tem presença, se desenvolvem grupos armados e privados, que tomam medidas drásticas contra os jovens.

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Foro Internacional de Juventudes começa com 130 jovens de 20 países

Adital

Foto:Divulgação/Divulgación

 

 

 

 

 

Começa nesta terça-feira, 10 de setembro, na cidade de Cusco, Peru, o Foro Internacional de Juventudes, que se estenderá até a quinta-feira, 12, e receberá jovens de 20 países. São 130 representantes de organizações sociais e movimentos de jovens, ONG, líderes políticos, empresários, governos e cooperação internacional, que contribuirão para a elaboração de uma Agenda Regional de Juventude consensual. Serão incluídas nesse documento as perspectivas dos seis setores de articulação e participação: governos; organizações da sociedade civil; movimentos sociais, estudantis e políticos; setor privado e empreendedores; academia; e cooperação internacional.

Jovens da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Estados Unidos, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana e Uruguai já estão em Cusco. O Foro, promovido pela Organização Ibero-Americana de Juventude e CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), com apoio do Governo do Peru, também resultará na geração de redes de trabalho que potencializem o intercâmbio de informação, conhecimento, experiência e opiniões entre os principais atores das políticas de juventudes.

Os participantes do Foro foram convocados pela OIJ, Governo do Peru e demais parceiros por sua representação institucional, visibilidade e liderança no tema da juventude na sociedade civil, governos, universidades, mundo empresarial e na cooperação internacional. Na hora de selecioná-los, os organizadores levaram em conta: a presença institucional e experiência profissional; a paridade de gênero; a representação da diversidade das juventudes da região – etnia, cultura e condições especiais; a participação em experiências temáticas de gênero, multiculturalidade e direitos humanos; e a capacidade para apresentar e abordar os diferentes temas tratados no evento.

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Eu, machista?

Celso Vicenzi
Adital
machismo

Pesquisa recente do Inter-Parliament Union, sobre as mulheres no Parlamento, mostrou que o Brasil aparece apenas na posição 125, entre 150 países. Na Câmara Federal, dos 513 parlamentares, apenas 44 são mulheres. No entanto, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral de dezembro passado, 52% do eleitorado é feminino. Há mais candidaturas masculinas, mas, ainda assim, não faltam mulheres para serem votadas. O que explica, então, tamanho descompasso?

Nas prefeituras, o problema se repete. As mulheres são prefeitas em apenas 12% dos 5.570 municípios do Brasil. No Sul do país a situação é ainda pior. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina – quem diria! – são os estados com o menor percentual de prefeitas eleitas. Apenas 37 cidades gaúchas elegeram prefeitas, ou seja, 7,44% do total. Santa Catarina vem em segundo, com 7,79%.

Isso prova que o machismo ainda está muito enraizado na sociedade brasileira. Com dupla ou tripla jornada de trabalho, além de outros fatores, a atividade política é muito difícil para uma mulher casada, por exemplo. E mesmo quando ela consegue vencer essas barreiras, não recebe o voto de confiança da maioria das mulheres. E dos homens!

Claro, você e eu não somos machistas! Ou, pelo menos, achamos que não, embora a probabilidade não esteja ao nosso lado.

Na melhor das hipóteses, se não somos machistas, somos péssimos em matemática. Pesquisa da Expertise informa que 75% dos brasileiros percebem a nossa sociedade como machista. No entanto, quando solicitados a fazer uma auto avaliação, apenas um terço dos homens entrevistados admite ser machista ou “um pouco machista”. Conclusão: a conta não fecha, o problema é sempre o outro.

Resultado dessa cultura patriarcal que há milênios domina o mundo, o machismo é incorporado também por muitas mulheres, que reproduzem os valores mais conservadores.

Isso torna o problema da representação política ainda mais complexo. Votar em uma mulher não é garantia de que ela defenderá, por exemplo, avanços na luta feminista. Mas é fato que, quanto mais equilibrado estiver o Parlamento em relação à representação política, de gênero, de classe, de etnia, dos mais diferentes segmentos da sociedade, mais aumentam as chances de que as demandas específicas de cada grupo social possam ser legitimadas e acolhidas em novas leis, novos costumes, fazendo avançar a democracia.

Admitir a existência de um problema é o primeiro passo para a resolução. Não é fácil, pois todos nós construímos uma boa imagem – necessária – de si. Mas quando todos esses dados apontam numa mesma direção, fica difícil negar.

Eu, machista?

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